segunda-feira, 11 de julho de 2011

Elogie do jeito certo - Marcos Meier

Elogie do jeito Certo

Recentemente um grupo de crianças pequenas passou por um teste muito interessante.
Psicólogos propuseram uma tarefa de média dificuldade, mas que as crianças executariam sem grandes problemas.
Todas conseguiram terminar a tarefa depois de certo tempo.
Em seguida, foram divididas em dois grupos.
O grupo A foi elogiado quanto à inteligência.
“Uau, como você é inteligente!”, “Que esperta que você é!”, “Menino, que orgulho de ver o quanto você é genial!” ... e outros elogios à capacidade de cada criança.
O grupo B foi elogiado quanto ao esforço.
“Menina, gostei de ver o quanto você se dedicou na tarefa!”, “Menino, que legal ter visto seu esforço!”, “Uau, que persistência você mostrou. Tentou, tentou, até conseguir, muito bem!” ... e outros elogios relacionados ao trabalho realizado e não à criança em si.

Depois dessa fase, uma nova tarefa de dificuldade equivalente à primeira foi proposta aos dois grupos de crianças.
Elas não eram obrigadas a cumprir a tarefa, podiam escolher se queriam ou não, sem qualquer tipo de consequência.

As respostas das crianças surpreenderam.
A grande maioria das crianças do grupo A simplesmente recusou a segunda tarefa.
As crianças não queriam nem tentar.
Por outro lado, quase todas as crianças do grupo B aceitaram tentar. Não recusaram a nova tarefa.
A explicação é simples e nos ajuda a compreender como elogiar nossos filhos e nossos alunos. O ser humano foge de experiências que possam ser desagradáveis.

As crianças “inteligentes” não querem o sentimento de frustração de não conseguir realizar uma tarefa, pois isso pode modificar a imagem que os adultos têm delas. “Se eu não conseguir, eles não vão mais dizer que sou inteligente”.

As “esforçadas” não ficam com medo de tentar, pois mesmo que não consigam é o esforço que será elogiado.
Nós sabemos de muitos casos de jovens considerados inteligentes não passarem no vestibular, enquanto aqueles jovens “médios” obterem a vitória.
Os inteligentes confiaram demais em sua capacidade e deixaram de se preparar adequadamente.
Os outros sabiam que se não tivessem um excelente preparo não seriam aprovados e, justamente por isso, estudaram mais, resolveram mais exercícios, leram e se aprofundaram melhor em cada uma das disciplinas

No entanto, isso não é tudo.
Além dos conteúdos escolares, nossos filhos precisam aprender valores, princípios e ética.
Precisam respeitar as diferenças, lutar contra o preconceito, adquirir hábitos saudáveis e construir amizades sólidas.
Não se consegue nada disso por meio de elogios frágeis, focados no ego de cada um.
É preciso que sejam incentivados constantemente a agir assim.
Isso se faz com elogios, feedbacks e incentivos ao comportamento esperado.
Nossos filhos precisam ouvir frases como:
“Que bom que você o ajudou, você tem um bom coração”,
“parabéns meu filho por ter dito a verdade apesar de estar com medo... você é ético”,
“filha, fiquei orgulhoso de você ter dado atenção àquela menina nova ao invés de tê-la excluído como algumas colegas fizeram... você é solidária”,
“isso mesmo filho, deixar seu primo brincar com seu video game foi muito legal, você é um bom amigo”.
Elogios desse tipo estão fundamentados em ações reais e reforçam o comportamento da criança que tenderá a repeti-los.
Isso não é “tática” paterna, é incentivo real.
Por outro lado, elogiar superficialidades é uma tendência atual. “Que linda você é amor”, “acho você muito esperto meu filho”, “Como você é charmoso”, “que cabelo lindo”, “seus olhos são tão bonitos”.
Elogios como esses não estão baseados em fatos, nem em comportamentos, nem em atitudes. São apenas impressões e interpretações dos adultos.
Em breve, crianças como essas estarão fazendo chantagens emocionais, birras, manhas e “charminhos”.
Quando adultos, não terão desenvolvido resistência à frustração e a fragilidade emocional estará presente.
Homens e mulheres de personalidade forte e saudável são como carvalhos que crescem nas encostas de montanhas. Os ventos não os derrubam, pois cresceram na presença deles.
São frondosos, copas grandes e o verde de suas folhas mostra vigor, pois se alimentaram da terra fértil.

Que nossos filhos recebam o vento e a terra adubada por nossa postura firme e carinhosa.

Marcos Meier é mestre em Educação, psicólogo, professor de Matemática e especialista na teoria da Mediação da Aprendizagem em Jerusalém, Israel.

Alzheimer - uma reflexão

Sobre o Alzheimer
Roberto Goldkorn é psicólogo e escritor

Meu pai está com Alzheimer. Logo ele, que durante toda vida se dizia
'o Infalível'. Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática,
disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo
ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do
músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca
mais esqueceu: esternocleidomastóideo.

O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta
saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de
canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas
funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas
demências tipo Alzheimer.

Aliás, fico até mais tranqüilo diante do 'eu não sei ao certo' dos
médicos; prefiro isso ao 'estou absolutamente certo de que....', frase
que me dá arrepios.

E o que fazer.... para evitarmos essas drogas?

Como?

Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos
circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e
pela vida 'bandida'.

Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai;
não cheguem ao topo, nunca, pois dali só há um caminho: descer.
Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória,
não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as
nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos.

Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido,
ou de uma localidade onde estive há trinta anos. Leiam e se empenhem
em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos
sessenta anos.

Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7
de cada 10 doentes nunca ligaram para essas 'bobagens' e viveram vidas
medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham
consciência disso.

Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro.
Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha?
Hum... Preocupante).
Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade.
Parodiando Maiakovski, que disse 'melhor morrer de vodca do que de
tédio', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a
personalidade roubada pelo Alzheimer.

Dicas para escapar do Alzheimer:

Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém
a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas
conexões.

Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000),
revelam que NEURÓBICA, a 'aeróbica dos neurônios', é uma nova forma de
exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável,
criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu
cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que,
apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem
um efeito perverso; limitam o cérebro.

Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios
'cerebrais' que fazem as pessoas pensarem somente no que estão
fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer
tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um
trabalho adicional. Tente fazer um teste:

- use o relógio de pulso no braço direito;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando
isso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes;
- veja fotos de cabeça para baixo;
- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho.
A proposta é mudar o comportamento rotineiro!
Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu
cérebro. Vale a pena tentar!
Que tal começar a praticar agora, trocando o mouse de lado?

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Pais que são pais - Içami Tiba

Palestra ministrada pelo médico psiquiatra Dr. Içami Tiba, em
Curitiba, 23/07/08.


1. A educação não pode ser delegada à escola. Aluno é transitório.
Filho é para sempre.

2. O quarto não é lugar para fazer criança cumprir castigo. Não se
pode castigar com internet, som, tv, etc...

3. Educar significa punir as condutas derivadas de um comportamento
errôneo. Queimou índio pataxó, a pena (condenação judicial) deve ser
passar o dia todo em hospital de queimados.

4. É preciso confrontar o que o filho conta com a verdade real. Se
falar que professor o xingou, tem que ir até a escola e ouvir o outro
lado, além das testemunhas.
5. Informação é diferente de conhecimento. O ato de conhecer vem após
o ato de ser informado de alguma coisa. Não são todos que conhecem.
Conhecer camisinha e não usar significa que não se tem o conhecimento
da prevenção que a camisinha proporciona.

6. A autoridade deve ser compartilhada entre os pais. Ambos devem
mandar. Não podem sucumbir aos desejos da criança. Criança não quer
comer? A mãe não pode alimentá-la. A criança deve aguardar até a
próxima refeição que a família fará. A criança não pode alterar as
regras da casa. A mãe NÃO PODE interferir nas regras ditadas pelo pai
(e nas punições também) e vice-versa. Se o pai determinar que não
haverá um passeio, a mãe não pode interferir. Tem que respeitar sob
pena de criar um delinquente.

7. Em casa que tem comida, criança não morre de fome . Se ela quiser
comer, saberá a hora. E é o adulto quem tem que dizer QUAL É A HORA de
se comer e o que comer.

8. A criança deve ser capaz de explicar aos pais a matéria que estudou
e na qual será testada. Não pode simplesmente repetir, decorado. Tem
que entender.

9. É preciso transmitir aos filhos a idéia de que temos de produzir o
máximo que podemos. Isto porque na vida não podemos aceitar a média
exigida pelo colégio: não podemos dar 70% de nós, ou seja, não podemos
tirar 7,0.

10. As drogas e a gravidez indesejada estão em alta porque os
adolescentes estão em busca de prazer. E o prazer é inconsequente.

11. A gravidez é um sucesso biológico e um fracasso sob o ponto de
vista sexual.

12. Maconha não produz efeito só quando é utilizada. Quem está são,
mas é dependente, agride a mãe para poder sair de casa, para fazer uso
da droga . A mãe deve, então, virar as costas e não aceitar as
agressões. Não pode ficar discutindo e tentando dissuadi-lo da idéia.
Tem que dizer que não conversará com ele e pronto. Deve 'abandoná-lo'.

13. A mãe é incompetente para 'abandonar' o filho. Se soubesse
fazê-lo, o filho a respeitaria. Como sabe que a mãe está sempre ali,
não a respeita.

14. Se o pai ficar nervoso porque o filho aprontou alguma coisa, não
deve alterar a voz. Deve dizer que está nervoso e, por isso, não quer
discussão até ficar calmo. A calmaria, deve o pai dizer, virá em 2, 3,
4 dias. Enquanto isso, o videogame, as saídas, a balada, ficarão
suspensas, até ele se acalmar e aplicar o devido castigo.
15. Se o filho não aprendeu ganhando, tem que aprender perdendo.

16. Não pode prometer presente pelo sucesso que é sua obrigação. Tirar
nota boa é obrigação. Não xingar avós é obrigação. Ser polido é
obrigação. Passar no vestibular é obrigação. Se ganhou o carro após o
vestibular, ele o perderá se for mal na faculdade.

17. Quem educa filho é pai e mãe. Avós não podem interferir na
educação do neto, de maneira alguma. Jamais. Não é cabível palpite..
Nunca.

18. Muitas são desequilibradas ou mesmo loucas. Devem ser tratadas.
(palavras dele).

19. Se a mãe engolir sapos do filho, ele pensará que a sociedade terá
que engolir também.

20. Videogames são um perigo: os pais têm que explicar como é a
realidade, mostrar que na vida real não existem 'vidas', e sim uma
única vida. Não dá para morrer e reencarnar. Não dá para apostar tudo,
apertar o botão e zerar a dívida.

21. Professor tem que ser líder. Inspirar liderança. Não pode apenas
bater cartão.

22. Pais e mães não pode se valer do filho por uma inabilidade que
eles tenham. 'Filho, digite isso aqui pra mim porque não sei lidar com
o computador'. Pais têm que saber usar o Skype, pois no mundo em que a
ligação é gratuita pelo Skype, é inconcebível pagarem para falar com o
filho que mora longe.

23. O erro mais frequente na educação do filho é colocá-lo no topo da
casa. O filho não pode ser a razão de viver de um casal. O filho é um
dos elementos.. O casal tem que deixá-lo, no máximo, no mesmo nível
que eles.. A sociedade pagará o preço quando alguém é educado
achando-se o centro do universo.

24. Filhos drogados são aqueles que sempre estiveram no topo da família.

25. Cair na conversa do filho é criar um marginal. Filho não pode dar
palpite em coisa de adulto. Se ele quiser opinar sobre qual deve ser a
geladeira, terá que mostrar qual é o consumo (KWh) da que ele indicar.
Se quiser dizer como deve ser a nova casa, tem que dizer quanto isso
(seus supostos luxos) incrementará o gasto final.

26. Dinheiro 'a rodo' para o filho é prejudicial. Mesmo que os pais o
tenham, precisam controlar e ensinar a gastar.

quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Aceitar o que nos acontece é o primeiro passo para a transformação - Artigo Folha de Londrina

Aceitação é o reconhecimento, a constatação de uma situação. Aceitação tem a conexão direta com nosso poder pessoal, que significa ter nas mãos as rédeas da própria vida. É saber para onde eu quero ir. É ter auto-estima elevada. É estar harmonizado e em equilíbrio. É sair do papel de vítima. É reconhecer e aceitar as coisas como elas são. E decidir e agir em cima disto. A frase “é aceitar as coisas como elas são” traz invariavelmente bastante mal estar entre as pessoas, pois a aceitação geralmente é confundida com passividade, conformismo, paralisia, permissividade. Na realidade aceitação não tem nada a ver com isso. Logo após o “aceitar as coisas como elas são” vem o ”decidir e agir em cima disto”. Aceitação é diferente do julgamento, que nos diz se alguma situação, coisa ou pessoa é boa ou má. Aceitação é uma simples constatação, que leva ao próximo passo, que é decisivo: ele pode nos levar à ação ou à paralisia.

Para nos ajudar a entender isso melhor vou usar a metáfora do trapézio. Imagine um trapézio de circo. Uma hora estou balançando continuamente e em outras, por alguns momentos, estou no ar, entre as barras de trapézio. A maior parte do tempo eu passei a minha vida pendurado no trapézio. Ele me levava até certo ponto do balanço e eu tinha o sentimento de que tinha o controle de minha vida. E de vez em quando, balançando, olho para minha frente e vejo outra barra de trapézio balançando em minha direção. Ela está vazia e eu sei que esta nova barra de trapézio tem o meu nome nela. É o meu próximo passo, meu crescimento, meu objetivo vindo para me pegar. Eu sei que para crescer eu tenho que me soltar da minha tão bem conhecida barra do presente e me mover para nova. Cada vez que isto me acontece, eu sei que devo me soltar totalmente da antiga barra e, em algum momento no tempo, eu devo me jogar no espaço, antes de me agarrar a nova barra. Toda vez eu estou cheio de medo de perder e cair em um abismo sem fundo entre as barras.

Talvez essa seja a essência da fé. Sem garantias, sem rede você o faz ainda assim porque de alguma forma, ficar se balançando naquela barra antiga não está mais em sua lista de alternativas. Então por uma eternidade, que pode durar um segundo ou mil, eu vôo alto pelo vazio escuro do passado. Isto é chamado de transição. Transformar nossa necessidade de agarrar a nova barra é permitir a nós mesmos residir no único lugar onde a mudança realmente acontece. Pode ser assustador. Mas precipitando-se pelo espaço nós talvez aprendamos como voar.

A relação entre pais e filhos e entre irmãos - Margareth Alves

A relação fraterna é um treino que prepara as crianças para conviver bem com as diferenças. A convivência com os irmãos pode despertar um sentimento de amor-ódio. É uma relação de grande intimidade. Pode ser harmoniosa, de proteção e grande cumplicidade. Como também pode ter momentos de disputa pelo amor dos pais e por tantas outras coisas, como no caso de gêmeos, que desde o útero materno já aprendem a dividir o mesmo espaço. Na relação com os irmãos se aprende a dizer sim e não, a permitir e a colocar limites, a abraçar e a apanhar. Se aprende a pedir, a dar e receber. Entre tantas outras competências. É o lugar onde se experimenta rivalidade, hostilidade, ciúme e inveja. Os sentimentos de inveja são direcionados de um irmão ao outro e o ciúme ocorre pela relação do irmão com os pais. O sentimento de ciúme pode ser desencadeado pelo comportamento dos pais de proteger e privilegiar um filho em detrimento do outro. Todas estas emoções, sem dúvida, se bem trabalhadas pelos pais pode preparar a criança a lidar bem na fase adulta com todos os tipos de relacionamento. Com o filho único suas relações geralmente são mais com os adultos para só depois na escola conviverem com crianças da mesma idade. Há uma tendência para a super-proteção.

Cada filho vem num momento único. Consideramos que a relação do casal está de uma determinada forma em cada etapa da vida, a situação financeira pode estar melhor ou pior, a saúde física e emocional do casal, dos seus outros filhos. Se ele vem num momento planejado pelos pais, se ele vem de surpresa enfim tudo isso é a base da construção da relação que o pai e a mãe estabelecerá com cada filho. O amor, podemos entender que pode ser o mesmo, mas a forma como ele se manifesta é única. Os pais podem se identificar mais com um filho do que com o outro, por todas estas questões levantadas e pelo temperamento de cada um. Dessa forma é muito difícil esperarmos que os pais irão se comportar da mesma forma com todos. Mas o que é essencial é que cada filho seja amado, valorizado, respeitado e aceito por seus pais. O filho precisa se sentir visto pelos seus pais. É a partir do que ele experimenta nestas relações que se fundamentará o funcionamento dele nas outras relações durante a vida. Amar é tão importante quanto colocar limites. Dizer "não" significar preparar seu filho para o futuro. Ele desenvolverá competências para sobreviver às frustrações, se lançar aos desafios, superar as adversidades se os pais não derem tudo para eles. Ensinar a pescar continua sendo muito melhor do que dar o peixe pronto.

Atualmente o que vemos são famílias cada vez mais reduzidas. Os casais com um único filho estão cada vez mais frequentes. Os pais argumentam que a questão financeira é um dos fatores importantes para este fato. Eles querem criar seus filhos oferecendo boas condições de estudos que vão além da escola. Aprender uma língua, esporte, música etc se tiverem muitos filhos não conseguiriam proporcionar todas estas opções. Além disso, quanto mais os pais recebem informações sobre educação de filhos, mais eles se tornam conscientes de quanta responsabilidade significa não só criar um filho, mas formá-lo. E também há muitos casos de pais q se casam mais tarde, num primeiro momento dão prioridade à carreira profissional e só mais tarde decidem por terem um filho. Conciliar a carreira profissional e muitos filhos, principalmente para as mães, parece se tornar cada dia mais dificil.

Os pais precisam ouvir atentamente seus filhos, não apressar a conversa, dar exemplo, manterem-se informados, orientar seus filhos de forma coerente, observar a comunicação não-verbal percebendo outras formas de comunicação que estão transmitindo aos filhos através das expressões faciais, dos movimentos do corpo, tom de voz. Incentivar os filhos a brincarem, fazerem tarefas, passeios ou atividades juntos. Recompensar, elogiar e agradecer os filhos sempre quando ajudam, quando brincam sem brigar, quando têm iniciativas, quando expressam carinho, quando ajudam em algum problema familiar, quando se oferecem para fazer algo, etc. Quando os filhos são reconhecidos e têm o exemplo dos pais se tornam mais cooperativos e afetuosos. Ponderar as brigas e divergências entre os filhos, evitando punir de forma tendenciosa, mas sempre verificar o que aconteceu. Brigas, ciúmes e rivalidades fazem parte do crescimento dos filhos, a ponderação, mediação e a maneira como os pais incentivam cada um destes comportamentos podem gerar mais conflitos ou diminuir. É importante que os pais observem a freqüência, motivo dos conflitos e brigas, só depois tomar uma atitude. Incentivar sempre o perdão pela atitude quer seja intencional ou casual e desculpar-se pelo comportamento, isto serve para os pais também, quando fazem avaliações ou punições injustas. Escolher alguns brinquedos aonde todos os filhos possam participar, assim desenvolvem um senso de igualdade e de suas diferenças e preferênciais individuais.

Compulsão Sexual - Margareth Alves

Trata-se de um comportamento irracional e autodestrutivo. Uma sensação forte contra a qual é incapaz de lutar e que irracionalmente buscará justificar de todas as maneiras. A autodestruição aparenta ser mais importante do que a construção de relacionamentos que tragam, além da satisfação sexual, o bem estar social e pessoal. Sexo é resultado de desejo sexual. Fazer sexo demais ou sem vontade de fazê-lo, torna-se uma forma de autodestruir-se, é irracional e não deverá trazer prazer à pessoa. Nossa cultura faz apologia de vários momentos de sexo sem desejo, a exemplo de muitas mulheres que acatam fazer sexo porque o marido assim o deseja ou porque é assim mesmo que as coisas são. Muitas mulheres podem ter passado por tal situação. Muitas vezes o casamento traz esta obrigação, facilitando o caminho do desenvolvimento de comportamentos sem controle e desassociados do desejo sexual, associando-o à diminuição das ansiedades.

Ter experiências sexuais com um número de pessoas de quem já não nos lembramos, nos faz crer que elas não tiveram importância em nosso trajeto de vida, não ficaram marcadas em nossa memória. Este é um aspecto da identidade masculina muito comum e considerada normal pelos homens em nossa cultura. Muitas pessoas ainda fazem sexo de modo irracional, não se importando com as conseqüências. A ansiedade conduz a fazer sexo, sem que qualquer atitude racional seja guia do comportamento. Uma grande parte dos homens sobrevaloriza o desempenho sexual, assunto preferido das rodinhas masculinas, onde quem conta mais vantagens sente-se superior aos outros. Um relacionamento também tem limites e dificuldades que precisam ser superadas. Um comportamento compulsivo não permite administrar estes limites, produzindo mais problemas de ordem sexual.

Quando pensamentos automáticos compulsivos sobre sexo e emoções ocorrem, pouco tempo interno sobrevive no espaço mental de uma pessoa. Assim todas as outras áreas são desprezadas e aqueles pensamentos não permitem que se disponha de tempo para organizarem-se as outra áreas do cotidiano. A família, estudos, religião, amigos, vida social, lazer, esportes, saúde... tudo fica em último lugar, desprezado e sem chances de execução no cotidiano. A condição de dependência é uma dos aspectos da compulsão.

O comportamento compulsivo, sexual ou não, interfere com a racionalidade e a manutenção de nossas vidas de modo satisfatório. A sensação de ingovernabilidade sobre a própria vida é um sinal importante de que não se está agindo como adultos, mas como crianças que necessitam de guia e cuidados por parte de outras pessoas. Quando pensamos em nossa vida e percebemos que existem mais coisas a se fazer do que estamos cumprindo, e isto se deve a gastarmos muito tempo com uma única atividade, significa que estamos fazendo algo compulsivamente. Um fator muito importante na vida das pessoas é a construção de um projeto de vida, dessa forma, a pessoa vive plenamente todas as área de sua vida. Se algo interfere neste caminho, trata-se de algo irracional e contrário a vida.

Livros sobre desenvolvimento de bebês

• A Vida do Bebê
Autor: Rinaldo De Lamare
Ed. AGIR

• A Encantadora de bebês resolve todos os seus problemas
Autores: Melinda Blau; Tracy Hogg
Ed. Manole

• Filhos: da gravidez aos 2 anos de idade
Autor: Fabio Lopez
Ed. Manole

• O que esperar do primeiro ano
Autora: Heide Murkoff
Ed. Record

• O bebê de o-3 anos
Autor: Coco Valero
Ed. Planeta do Brasil

• Cuidando do seu filho – do nascimento aos 5 anos
Autores: Steven Shelov; Robert Hannemann
Ed. Artmed

• Nana Nenê
Autor: Gary Ezzo
Ed. Nexo Editorial